Adaptar uma história em quadrinhos (especialmente se for japonesa) ou uma série de videogame não é uma tarefa fácil. São duas vertentes que atormentam os grandes estúdios que se submetem a fazer essa tarefa. A primeira é a legião de fãs exigentes que uma franquia costuma ter e a segunda são as alterações necessárias no roteiro para agradar os olhos da platéia americana, que costuma ser o termômetro para que um filme dê certo ou não. Com Dragon Ball não foi diferente. A multimilionária franquia japonesa, que tem mais de 500 episódios em série animada e 42 volumes de mangá, já esteve na gaveta da Fox há muito tempo, desde que o desenho tornou-se um sucesso mundial. Por anos, Dragon Ball também figura na lista dos 100 nomes mais procurados no Google, o que dá uma certa responsabilidade na mão de seus realizadores.
Dirigido por James Wong (de Kung Fu-são e Shaolin Soccer), o filme já despertou a ira de fanáticos que detestaram as óbvias alterações feitas na história. Enquanto no anime e mangá, o protagonista Goku é um inocente menino da selva, no longa-metragem ele se tornou um colegial com os hormônios à flor da pele que vive se metendo em encrencas, por não se adaptar ao mundo em que vive.
Mas, no geral, a trama é a mesma: Goku e seus amigos devem procurar as sete esferas do dragão, que unidas podem realizar qualquer pedido, para brecar uma ameaça que pode destruir a raça humana. O que parece realmente afetar a turma que seguiu o anime, na verdade, é o estilo dos personagens, todos diferentes do desenho. A fantasia da versão animada deu espaço a um mundo futurístico, com lutadores high-tech dotados de poderes especiais.
As primeiras críticas dos fãs, quando as imagens e vídeos foram jogadas na internet, deixaram o estúdio de "cabelos em pé". Previsto para estrear em agosto do ano passado, o filme foi adiado e algumas cenas refeitas para agradar os indignados. Tentando desviar um pouco da atenção que o anime desperta, a Fox mudou o nome do filme para Dragonball: Evolution, indicando que ele seria uma "evolução" do desenho animado, em uma espécie de mundo paralelo.
A verdade é que, aos poucos, os críticos foram se rendendo e Dragon Ball já é um dos filmes mais esperados do ano. Até o criador da franquia, Akira Toriyama, pediu que os fãs assistissem à adaptação com "outros olhos".
Resta saber se James Wong terá capacidade suficiente para segurar o filme e torná-lo uma cine série de sucesso, algo que não aconteceu com outras produções de risco, como Speed Racer e Street Fighter.
A adaptação ao cinema do anime Blood: The Last Vampire teve divulgado um comercial de televisão. Veja abaixo Saya (Jun Ji-Hyun), uma vampira que trabalha para uma organização secreta do governo que caça e destrói demônios no Japão pós-Segunda Guerra. A missão da sanguessuga é se infiltrar em uma escola militar e descobrir qual estudante é um demônio disfarçado.
A produção da EDKO Film é dirigida pelo francês Chris Nahon (Beijo do Dragão). O roteiro foi adaptado por Ronny Yu, conhecido diretor de Hong Kong que assinou em Hollywood filmes como A Noiva de Chucky e Freddy Vs. Jason.
Nem todas as animações japonesas se passam em mundos de fantasia medievais ou em planetas cheios de bichinhos colecionáveis. Algumas vezes elas podem acontecer em mundos muito mais familiares, como aquele que você encontra em “Michiko e Hatchin”. Com cenário inspirado no Brasil (uma favela no Rio de Janeiro, nos primeiros episódios), a série estreou no Japão na segunda metade de 2008, e é produzida pelo estúdio Manglobe, responsável por animês famosos como “Samurai champloo”.
“Michiko e Hatchin” conta a história de Michiko Malandro, uma mulher que foge da prisão para resgatar Hana “Hatchin” Morenos, que está sofrendo nas mãos de seus pais adotivos. Os episódios, nomeados com termos em português, mostram favelas, pontos tradicionais do Rio de Janeiro e incluem até mesmo uma viagem para a Amazônia.
Ainda não existe previsão para a estreia de “Michiko e Hatchin” no Brasil – a série está chegando nos últimos episódios no Japão. Apesar disso, é possível encontrar na internet versões legendadas em português dos episódios exibidos no Japão. Fidelidade
O animê tem uma fidelidade com a ambientação que é difícil de encontrar em outras produções internacionais que se passem no Brasil. “Até a moeda corrente é desenhada igual ao real”, conta Hiromi Konishi, coordenadora de projeto do animê (como são chamadas as animações japonesas). Em busca dessa “inspiração” brasileira, os produtores da série (incluindo a diretora Sayo Yamamoto) vieram até o Brasil em 2007.
Outro ponto brasileiríssimo do animê é a trilha sonora, coordenada por Shinichiro Watanabe (diretor do animê “Cowboy bebop”) e assinada pelo carioca Kassin (+2 , Artificial, Orquestra Imperial), marido de Konishi.
Trabalhando à distância, Kassin diz que só vê a animação muito tempo depois de terminar as trilhas: Recebo roteiros e sugestões de como devem ser as músicas, essas sugestões vêm do Shinichiro e são muito precisas”, diz, elogiando o diretor, “a direção musical dele é brilhante”.
Cantam na trilha, em português, Thalma de Freitas, Nina Becker, Bnegão, Wilson das Neves, Ritchie e o próprio Kassin - enquanto a música de abertura, “Paraíso”, fica a cargo do grupo japonês Soil & “Pimp” Sessions. O disco com a trilha sonora original foi às lojas no Japão 23/1/09.